sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Uma lista literária

A divina comédia – Dante Alighieri

A grande poética da escrita de Dante influenciou muito meu gosto pela leitura e de certa forma o modo como escrevo – ou como gostaria de escrever – já que o estilo de Dante sendo incomparável, não seria eu, que ao menos se igualaria ao dele. Tentei buscar a poesia grafada de seus livros e o amor que teve ao escrever a Divina Comédia, em memória de seu eterno amor (Beatriz) e as letras.

Dom Quixote – Miguel de Cervantes Saavedra

A inventividade e o estilo de sua escrita me invadiram o sangue querendo com ele aprender a escrever e a criar com fundamentos da alma humana e suas virtudes, loucuras, bravuras, gentilezas, paixões etc... Tudo que Cervantes imprime com grandeza de um gênio espanhol. (obs.: falando em gênio espanhol: Diego Velásquez, grande pintor espanhol. Uma grande influência sobre meus quadros.

Memorial do convento – José Saramago

O português irmão, nosso único escritor de nossa língua, premiado com o Nobel de literatura. Este senhor envolvido – com suas opiniões políticas – nas lutas pelas causas que merecem ser lutadas. Resumindo: as causas da humanidade (em favor da humanidade). Os parágrafos intermináveis em seus livros são bem uma de suas marcas. Seus romances marcam por serem às vezes perturbadores como: Ensaio sobre a Cegueira. As vezes belos romances com uma grande paixão como: O Memorial do Convento. Um grande sábio homem português.

Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez

A saga da família Buendía me espantava de tão incrível que era. Assim como a escrita fundada no fantástico em cada história que cria. E sendo uma mais bem elaborada que a outra consegue prender sua atenção até o desenrolar de sua trama.


Não dá pra expor todos os meus escritores favoritos e as suas obras.
Estes que aqui citei me influenciaram em todos os meios possíveis que uma pessoa e suas idéias possam. São grandes mentes criadoras de histórias maravilhosas que têm muito a nos ensinar se dermos a oportunidade à literatura.

Mês que vem ponho mais escritores de que gosto

E claro os brasileiros...

Indigências da vida

Deveria de ser uma indigência da vida
A bondade que nos cerca a alma

Devia ser constante este sentimento
Deveria ser dividido e ensinado

Tornar-se-á fácil ser bom
O dia que todos estiverem em paz

Mas é nas atribulações
Que devemos cingir
Nossos corações desta bondade

Capitanear o barco
Que enfrentas a tormenta do dia nevoado
Tomar as rédeas do mal
E pôr em terra bendita a razão

A bondade que nasce de Deus
Saber tê-la como lanterna para guiar
Os passos errôneos que se deixam ir além

Com os olhos tapados
Longe do que é sereno a alma
E turvando-se o caminhar ao precipício da vida

Mas lá o lume divino se faz presente
E é amparo pro teu ser
Que te faz retornar ao caminho de bondade

à lua

Vossa ternura espande sua alma
A feliz caricia de suas mãos as minhas
Momentos tão vividos em minha mente

A inefabilidade das palavras de meus lábios
Forçam-me a mostrar nas estrelas
O quanto és bela, mais do que tais.
Por não ser somente brilho o que te faz reinar

As sevicias do meu destino
Jogam por terra os sonhos constantes de minha felicidade
Mas deixa está, pois não há no mundo mal que me abata.
Se o que quero és tu que me consome mais e mais

Pergunte-me o que desejo
E te olharei para sempre
Manter-se-á em mim este amor pujante
Até o seu beijo desacelerar meu coração

Do roubo (part - 01 de 02)

Às quatro e meia da manhã fora aberto um chamado na delegacia de policia do bairro do Rosário. Dois policias foram designados para averiguar o caso. Um assassinato. Saíram na viatura sem pressa e no caminho ainda se demoraram bastante parando pra comer qualquer coisa e tomar um café. Eles conheciam bem o bairro que havia tido o dito crime. Sabiam que se tratava de um bairro pobre de gente humilde. Já haviam atendido muita ocorrência ali. Já haviam prendido muita gente ali. Já haviam de deixado de conhecer muita gente boa que morava ali.
O nome do último preso era Morgana, um travesti que seduzia suas vítimas com sua sensualidade fingida feminina. Seu conto do vigário travestido. Vestia uma peruca bem loira que imitava o brilho do sol; nas mãos as unhas postiças cumpridas avermelhadas bem comuns a esses tipos de figuras; o vestido negro, curto, chamativo e provocador induziam os homens que queriam possuí-la. E assim, tomados por ingenuidade ou talvez, em muitos casos, o desejo de estar com Morgana, ela os atraia e com um gosto doentio pelo sangue cortava suas vítimas com uma navalha, nos cantos escuros do bairro e saia gritando com o sucesso de seu prazer maior. Assumia seu ponto naquela noite mesmo esperando mais um cliente afoito por seus favores. Morgana tinha saído do um manicômio a menos de um ano, conseguindo enganar seus médicos fazendo-se de curada e ganhado alta. Foi às ruas e renovou seus delírios psicóticos femininos e reiniciou seus crimes. Antes de ser presa cometera assombroso seis assassinatos. Todos cortando seus clientes com a navalha cega suja de sangue de todas as vítimas. Morgana fazia parte de uma lista de vários tipos díspares de criminosos que corriam o bairro do Rosário.
Quando chegaram próximo ao local seguiram pra rua que tinha ocorrido o crime. A rua estava começando a se encher de gente. Ganhava vida a cada momento que o dia ia começando. Eram pessoas que acordaram com os barulhos dos tiros; pessoas que iam pro trabalho, por que bairro pobre de gente humilde trabalho pesado; moradores de rua curiosos e com medo. Dois rapazes com mochilas nas costas passaram olhando atônitos pro cadáver. Uma senhora com um cachecol se benzia enquanto parava por dois segundos pra observa. O que chamou a atenção dos dois policiais que ainda estavam no carro foi um senhor já com uns bons anos jogados nas costas, ele corria na direção do corpo. Estava chorando nervoso e vinha com uma bíblia na mão. Os policias acharam estranho, mas nada fizeram quando perceberam que o senhor chegando perto do cadáver percebe que não o conhecera e que tinha se aflingido por nada pensando ser um conhecido seu. O rosto do senhor ao reconhecer que não conhecia o cadáver foi de imenso alívio e um sorriso disfarçado nos lábio. O peso da culpa por este sentimento não se pode cair em seus ombros. Triste o fado de um pai que chora todas as noites a desesperança de ter o filho de volta em casa. Benzeu-se e fez uma curta oração ao cadáver.
Os policiais comentaram entre si: “deve ter pensado que o filho dele era o cadáver caído no chão”
Os dois policias pediram pra que todos se afastassem. Naquela hora o poste ainda iluminava formando um cenário triste de teatro em volta do cadáver. O ato final de uma vida quando a cortina se fecha. O cadáver estava estendido abaixo do poste bem no meio do fecho de luz que emanava. O cadáver era um homem de seus trinta anos. Cabelos negros bem cortado curtos. Mas de barba maltratada. Um nariz pontudo. Os olhos ninguém viu por que estavam serrados com o ar de desespero comum que se apegam a todos nestas horas incertas. Ele vestia uma blusa da seleção brasileira rasgadas nas costas. Havia caído de bruços na rua com a mão na calçada. Havia um furo na blusa que não tinha sido perfurada pelos três tiros que lhe encravaram por trás. Era de estrago de traça ou desgaste do uso ou os dois. Grafado no muro em frente ao cadáver dizia: “o reino dos Céus está a sua espera”. Parecia o que almejava o cadáver quando caiu com as mãos estendidas na direção da frase pintada. Havia lucidez suficiente pra que pudesse ler a frase? Se pudesse poderia ser-lhe de grande serventia.
Por debaixo do cadáver uma banana espremida entre ele e o asfalto. Um tomate mais a frente e outras frutas e verduras. O homem parecia que tinha ido fazer compras com o espólio do crime. Temerário em seu feito. Foi a gloria.
Os policias começaram perguntando aos que estavam ali se conheciam o cadáver. Bairro pobre gente humilde ninguém fala nada e ninguém via coisa alguma. “é sempre assim, né. Surdos, mudos”. Dizia um dos policiais.
Um homem que todos no bairro conheciam por sua aflição de não poder dormir todas as noites. E não dorme por ter de pagar as contas; ou por estar sofrendo por alguém. Ele sofre de perda de sonho constante à noite, todos os dias e por isso, são determinantes que ele engula diversos comprimidos de um remédio pra sono todos os dias. Quis o destino que este remédio terminasse sem que ele pudesse ter como repor. Então cansado de rolar na cama durante a madrugada pensou em sair mais cedo pro trabalho. No momento que ia saindo pra rua escutou o carro que levava os assassinos derrapando na esquina. O que causou medo e o fez se esgueirar ao lado de seu portão ainda dentro de sua casa. Permaneceu abaixado até o final de tudo quando partiram os homens. Uma testemunha da crueldade. Ele contou o que vira pros policiais em sigilo. Viu um homem correndo pela rua com um rosto de pavor estampado olhando pra trás e tropeçando à frente. Cansado e sufocado pela saliva grossa em sua boca. Caiu no primeiro tiro bem na altura dos ombros; bateu sues pés numa pedra solta na rua e foi ao chão abrindo uma fenda na testa que fez o sangue rolar por seu rosto bem pelo seu olho esquerdo. A testa sangrou antes do tiro nas costa começasse a manchar a camisa amarela. Levantou-se cambaleando. Tentou por sua mão onde penetrara a bala buscando aliviasse da ardência que lhe causava a bala. Entretanto não pudera alcançar onde tinha penetrado. Nisso saíram do carro seus assassinos. Ele tentou limpar o sangue do olho pra desnublá-lo. Mais dois tiros. Outro nas costas e um na nuca que fez cair de vez o homem pela última vez. Quicou no chão estendendo sua mão. Uma poça de sangue escorreu de sua nuca e dos outros buracos que lhes causou os tiros empoçando o asfalto ao seu redor. Bananas, maçãs e outras frutas correram pelo asfalto e pela calçada dando matizes tristes ao cenário. Um dos homens se aproximou do cadáver, se abaixou ao seu lado e confirmou se estava realmente morto. Depois, com frieza e uma calma absurda, apanhou uma maçã que rolara pra perto da calçada. Limpando-a e dando uma grande mordida. Voltou pro carro saboreando os favos da vitória.
Gil Petrarca vestia uma camisa branca de pano simples e sem ostentação alguma; uma calça jeans e um sapato preto. Tinha os cabelos muito bem aparados e a barba feita implicava tudo de que era vaidoso. Carregava sempre um pequeno bloco de anotações comuns a todos em sua profissão. Carregava uma câmera no pescoço prendida por uma correia de couro. Era um jovem jornalista que fora enviado por seu jornal para cobrir o crime. Chegou ao local um pouco depois dos policiais. Ele tinha a temeridade de todos os jovens jornalistas que são recém formados. E assim querem ir sempre a fundo a cada história que se metiam. Sabia que poderia desvendar mais do que descobriria na cena do crime. Gostava de ir atrás da notícia atrás da notícia. Fazia mil perguntas e formulava outras mil pra descobrir por si mesmo.
- Como aconteceu? – perguntou Gil Petrarca
- Conheço o meliante – redargüiu o policial mais gordo – era um malandro que cometia pequenos furtos pela região.
- Por pequenos furtos ocasionam-se ter tanto ódio assim seu assassino ou assassinos. Pois, com tantos tiros bem poderia ser algo maior.
- Não sabemos ainda – disse o policial – esse meliante não prestava e todo mundo sabia, era um ninguém que não conseguia trabalho. Tinha que dar nisso algum dia. Não tinha emprego, era de correr dele como gato de água.
- E por que não tinha emprego? – perguntou Gil Petrarca
- Quem vai saber – respondeu o policial baixinho
- Talvez, não devia ser por sua vontade estar desempregado
- E o que te importa isso. O que tens com ele? – disse o rotundo policial
- Não o conhecia. – redargüiu Gil Petrarca
- Então...
- Só quero-me cerca dos fatos que sejam verídicos
- O que quer dizer com isso, jornaleco? - Disse o baixinho
- Nada. Só estou tentando fazer meu trabalho.
- Então, entenda de uma vez por toda, pois o que vou lhe dizer é por ter conhecido o cadáver ai, - tomou a palavra o policial rotundo com uma voz forte e ameaçadora - esta é a única coisa que se pode dizer deste sujeito. Ele estava desempregado por que bem se sabe dele ao que lhe ofereciam de emprego recusava impondo algum motivo de que ele não poderia pegar o serviço. Sempre com uma desculpa. Arrumar problemas com todos os que trabalhavam com ele seja no que fosse. Era um sem jeito pra tudo.
Gil Petrarca conversou com um homem que estava na cena do crime:
- Bem. Eu o via saindo cedo de casa. Por vez voltava tarde. Nunca soube direito o que fazia na rua. Também não o conhecia direito. Uma vez presenciei uma discussão dele num bar aqui por perto. Em que ele era enxotado de lá por dois caras mal-encarados. Fiquei sabendo que ele lhes devia dinheiro de um empréstimo. Também não conheço o porquê do empréstimo.
Uma jovem que ia de passagem pro trabalho também lhe falou:
- Eu conhecia a esposa dele. E sei que eram pessoas normais. Boas. Ele sempre fora mais reservado, sem muita conversa com as visitas em casa. Que na maioria eram de sua esposa, já que ele não era muito sociável. Devia ter muito que pensar.
Gil Petrarca permaneceu em silêncio depois disso pensando na patranha que os policiais contavam. Apresentavam ódio igual ao que poderia ter os seus assassinos. Evidenciava que não poderiam ser eles, pois estava na mesma delegacia onde Gil Petrarca colhia depoimentos de outro crime. Todo o modo com que falaram os policiais aguçou a curiosidade pertinente de jornalista de Gil Petrarca pra descobrir a história atrás da história. Ele se abaixou devagar próximo do cadáver fingindo estar tirando uma foto. Puxou a carteira do cadáver procurando ler o seu nome em seus documentos. E que assim pudesse dar início a sua história.
- Hei – bradou o policial rotundo – você sabe que não pode mexer ai! Seu jornaleco!
- Desculpe – disse Gil Petrarca – estava caindo – ele estende sua mão e entrega a carteira ao policia, mas antes ele teve sucesso em seu intento e pode ler o nome do cadáver que como dizia o documento de identidade era Honório Garcia.
Gil Petrarca queria ir mais fundo na história de Honório Garcia e conferir a história que os policiais lhe contaram. Pelos depoimentos colido não pode descobrir muita coisa. Um homem que sai de casa cedo; fechado, não sociável e pessoa boa não revela o que seu caráter representa.
continua...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Amores de minha lua

Este poema faz parte do livro que estou finalizando e espero que antes de janeiro eu tenha posto um ponto final nele. Ele se chama: Julia e Emily vão ao mundo do tudo pode.


Amores de minha lua

Apraz-me contemplar-te
És-me atroz ver-te afugentar

Sei que tu a mim,
Não tem por único a dar de amar

Almejo um desejo sem fim de ser somente eu,
Que tu tens voltado o benevolente olhar

Muitos aos seus pés hão de se prostra
Muitos dela hão de se afugentar

Somente quem buscar o teu doce amar
Terá em ti a essência do prazer de contigo sonhar

Digo com bastante euforia
Vinda da prudência de meu amor

Que a ti se faz ar que me faz viver
Alentando de vida meus dias festivos

Sempre tua presença se faz urgente
Pois que, se ela é meu vício

Não posso eu esquivar minh’alma
Que seja assim

Pois assim caminha meu querer:
Amar-te

BRASILEIRO

Esta é minha primeira crônica. E escrevo sobre nosso povo.
Ela mostrará quem é o brasileiro. Que tipo dispare aqui temos nos mais diversos casos de personalidades singulares. Pois aqui há de um tudo e de alguns casos destes que quero trazer à luz neste espaço.

BRASILEIRO
Trabalho duro, amor gostoso

- Ô Brasileiro, vem cá! – disse o homem rotundo que acaba de sair do elevador, mas Brasileiro não acordou, nem mesmo estava dormindo. Vislumbrava as imagens da noite passada no seu quartinho; seu ventilador barulhento girando; sua cama desarrumada pelas pernas morenas da mulher que ama. “ô Brasileiro” chamou o homem e outra vez não fora ouvido. Aproximou-se então e deu um chutinho na cadeira que estava sentado o Brasileiro.
- Ô patrão, desculpa, não ouvi o senhor.
- Tava a pensar em que?
- Na flor que brotou pra mim na minha cama.
- Que flor? – perguntou o homem.
- A rosa mais cheirosa do bairro; mais linda violeta da estufa.
- Que violeta?
- Violeta não, era uma camélia insaciável e de pétalas grossas.
- Era uma estufa ou um puteiro em que tu estavas?
- Que isso patrão é minha namorada.
- Ta bom – disse o homem já sem paciência pras ilusões do porteiro – vai lá em cima e apanha um saco que deixei no corredor.
- Vou sim, senhor.
- A besta da minha mulher ta enchendo meu saco. Mandou que tirasse meus livros da estante pra por as fotos de nossa viajem pro Havaí. Olha rapaz, pena que tive que ir com minha mulher, por que lá só tinha mulher linda. De tudo qual era tipo de tamanho, formas e cores era um arem.
Brasileiro não falou nada, mas concordava com o homem. Conhecia a besta e como era feia, uma mulher sisuda e grossa.
- Então, vai lá Brasileiro, mas não sobe pelo elevador, por que tão reclamando de você.
- Mas o senhor mora no décimo quinto andar! – disse Brasileiro já esperando o trabalhão que teria.
- Sem problemas, vai lá.
Ele batalhador reclama, mas não deixa de fazer. Entretanto aquelas tantas escadas dariam pra pensar por muito tempo na sua rosa cheirosa, camélia de pétalas grossas. E assim foi pelas escadas de quando em quando tropeçava nos degraus ao perder a consciência do mundo real e deixar ébriar-se pelas suas reminiscências. Com isso atingiu o primeiro andar, o segundo, o décimo e enfim o décimo quinto e no corredor avista o saco. Grande, cheio, pesado “não vai de elevador” lembrava o patrão falando.
Encostou-se à parede cansado da subida e esperou o animo chegar pra descer com o saco. Mais um sossego rápido pra pensar na mulher que acalenta seus pensamentos que tinham pouso na sua cama, em seus lençóis almogados pelos corpos nele se entrelaçando.
- Ta dormindo de novo Brasileiro – não percebera o elevador. Sai o homem rotundo aos berros
- Espera que vou apanhar mais um saco.
- Tudo bem patrão, hoje o dia ta longo, mas no fim melhora.
O homem entra no apartamento. Demora-se um pouco. Ouve-se conversas em alto som, era a mulher que falava que sua dieta não estava dando certo. Então, retorna o homem. Com a cara fechada.
- Essa besta reclama de tudo. Dieta não resolve pra ela. Só mesmo a morte. E aquele bunda de paralelepípedo tinha que asfaltar pra ficar boa.
Brasileiro nada falava da mulher do homem, – ele tinha juízo – mas não podia deixar de comparar com sua roso cheirosa. Camélia de pétalas grossas. Perto dela, a mulher de Brasileiro era a deusa da beleza das morenas. Dela provinha toda a essência do que é belo nas mulheres.
- Toma ai Brasileiro – disse o homem entregando mais um saco de livros. Que pra seu desalento era maior e mais pesado que o outro. – põem tudo nas costa e leva pro lixo.
- Sim senhor – esse fora o “sim senhor” mais desanimado pronunciado por um ser humano. Não sabia o que era pior. Deixar um e levar o outro e fazer a descida e subir outras vez e descer de novo ou levar os dois sacos numa viajem só.
- To indo pra praia.
- E sua esposa não vai com o senhor?
- Aquela besta morre de vergonha do corpo. É sorte minha ela não ir.
E lá se foi o homem rotundo descendo confortavelmente no elevador. Com seus chinelos e sua cadeirinha. Lá está Brasileiro com seus sacos de livros a ponto de pô-los as costas e descer. Podia fazer uma promessa pra Nossa Senhora que seria atendido por pena do fardo que carregaria. Brasileiro jogou seu fardo a costa e pôs-se a descer valente as escadas. Deu dois passos trôpegos até acostumar-se ao peso novo que sustentava suas pernas finas. Temeu cair com os dois sacos nas costas que lhe esmagariam a coluna. Mas sem maiores desastres que se assentar corpo na parede para evitar que caísse com algum desequilíbrio, consegui chegar ao saguão do prédio. Na porta onde deveria colocar os sacos pra que fossem recolhidos, sua curiosidade de olhar o que tinha dentro assobiou nele. Os livros aparentemente nunca tinham sido lidos ou ao menos folheados. Apiedou-se de jogá-los fora. Brasileiro os levou pra uma escola próxima de crianças carentes que seria providencial pra aprenderem a ler.
Ao voltar encontrou o homem parado na portaria com o rosto vermelho. De certo por causa da praia, mas também de raiva por ter encontrado a portaria sem ninguém.
- Esqueceu alguma coisa senhor? – perguntou brasileiro meio dissimulado, pois sabia o que esperava.
- Por sorte sim. Por que diabos você não está no seu lugar?
- Fui levar os livros pra escola carente
- Não me importa, seu lugar é aqui!
- Sim senhor – Brasileiro sentou-se e voltou ao seu oficio humilde. E ao vislumbre de sua rosa cheirosa. Camélia de pétalas grossas. O que de humilde não tinha nada. De tão bela, grande e farta de carne em cada cantinho distribuído impecavelmente. Quando voltou da praia encontrou Brasileiro sentado no seu lugar o homem rotundo.
- O que faz ainda aqui, já passou de tua hora?
- Espero alguém.
- Pois bem, amanhã quero que vá logo cedo até meu apartamento retirar um móvel velho que minha esposa quer se livrar. Não é muito pesado. É uma dessas estantes pequena que fica nos quartos. E depois há um vazamento no banheiro que quero que tu de uma olhada.
No momento em que falava apareceu entrando no prédio como a mais formosa das criaturas de Deus. A namorada de Brasileiro. O homem rotundo no momento que a viu deixou-se cair o queixo e milimetricamente passou a observa a moça. Caminhava com os cabelos soltos balançando ao vento. As pulseiras tilintando no pulso fino marcando como um relógio aquele tempo aprazível de rebolados sensuais. As pernas viam na frente, longas. Pétalas grossas. Era a imagem da beleza e do prazer – um desses que há muito o homem não tem – entrando no prédio recebendo nos braços e nos lábios Brasileiro que se vira ao patrão embasbacado e diz:
- Eu disse que o dia terminaria bem. – sorria – é melhor o senhor subir patrão, que sua mulher ta te esperando.
E sai com sua rosa cheirosa. Camélia de pétalas grossas.