Às quatro e meia da manhã fora aberto um chamado na delegacia de policia do bairro do Rosário. Dois policias foram designados para averiguar o caso. Um assassinato. Saíram na viatura sem pressa e no caminho ainda se demoraram bastante parando pra comer qualquer coisa e tomar um café. Eles conheciam bem o bairro que havia tido o dito crime. Sabiam que se tratava de um bairro pobre de gente humilde. Já haviam atendido muita ocorrência ali. Já haviam prendido muita gente ali. Já haviam de deixado de conhecer muita gente boa que morava ali.
O nome do último preso era Morgana, um travesti que seduzia suas vítimas com sua sensualidade fingida feminina. Seu conto do vigário travestido. Vestia uma peruca bem loira que imitava o brilho do sol; nas mãos as unhas postiças cumpridas avermelhadas bem comuns a esses tipos de figuras; o vestido negro, curto, chamativo e provocador induziam os homens que queriam possuí-la. E assim, tomados por ingenuidade ou talvez, em muitos casos, o desejo de estar com Morgana, ela os atraia e com um gosto doentio pelo sangue cortava suas vítimas com uma navalha, nos cantos escuros do bairro e saia gritando com o sucesso de seu prazer maior. Assumia seu ponto naquela noite mesmo esperando mais um cliente afoito por seus favores. Morgana tinha saído do um manicômio a menos de um ano, conseguindo enganar seus médicos fazendo-se de curada e ganhado alta. Foi às ruas e renovou seus delírios psicóticos femininos e reiniciou seus crimes. Antes de ser presa cometera assombroso seis assassinatos. Todos cortando seus clientes com a navalha cega suja de sangue de todas as vítimas. Morgana fazia parte de uma lista de vários tipos díspares de criminosos que corriam o bairro do Rosário.
Quando chegaram próximo ao local seguiram pra rua que tinha ocorrido o crime. A rua estava começando a se encher de gente. Ganhava vida a cada momento que o dia ia começando. Eram pessoas que acordaram com os barulhos dos tiros; pessoas que iam pro trabalho, por que bairro pobre de gente humilde trabalho pesado; moradores de rua curiosos e com medo. Dois rapazes com mochilas nas costas passaram olhando atônitos pro cadáver. Uma senhora com um cachecol se benzia enquanto parava por dois segundos pra observa. O que chamou a atenção dos dois policiais que ainda estavam no carro foi um senhor já com uns bons anos jogados nas costas, ele corria na direção do corpo. Estava chorando nervoso e vinha com uma bíblia na mão. Os policias acharam estranho, mas nada fizeram quando perceberam que o senhor chegando perto do cadáver percebe que não o conhecera e que tinha se aflingido por nada pensando ser um conhecido seu. O rosto do senhor ao reconhecer que não conhecia o cadáver foi de imenso alívio e um sorriso disfarçado nos lábio. O peso da culpa por este sentimento não se pode cair em seus ombros. Triste o fado de um pai que chora todas as noites a desesperança de ter o filho de volta em casa. Benzeu-se e fez uma curta oração ao cadáver.
Os policiais comentaram entre si: “deve ter pensado que o filho dele era o cadáver caído no chão”
Os dois policias pediram pra que todos se afastassem. Naquela hora o poste ainda iluminava formando um cenário triste de teatro em volta do cadáver. O ato final de uma vida quando a cortina se fecha. O cadáver estava estendido abaixo do poste bem no meio do fecho de luz que emanava. O cadáver era um homem de seus trinta anos. Cabelos negros bem cortado curtos. Mas de barba maltratada. Um nariz pontudo. Os olhos ninguém viu por que estavam serrados com o ar de desespero comum que se apegam a todos nestas horas incertas. Ele vestia uma blusa da seleção brasileira rasgadas nas costas. Havia caído de bruços na rua com a mão na calçada. Havia um furo na blusa que não tinha sido perfurada pelos três tiros que lhe encravaram por trás. Era de estrago de traça ou desgaste do uso ou os dois. Grafado no muro em frente ao cadáver dizia: “o reino dos Céus está a sua espera”. Parecia o que almejava o cadáver quando caiu com as mãos estendidas na direção da frase pintada. Havia lucidez suficiente pra que pudesse ler a frase? Se pudesse poderia ser-lhe de grande serventia.
Por debaixo do cadáver uma banana espremida entre ele e o asfalto. Um tomate mais a frente e outras frutas e verduras. O homem parecia que tinha ido fazer compras com o espólio do crime. Temerário em seu feito. Foi a gloria.
Os policias começaram perguntando aos que estavam ali se conheciam o cadáver. Bairro pobre gente humilde ninguém fala nada e ninguém via coisa alguma. “é sempre assim, né. Surdos, mudos”. Dizia um dos policiais.
Um homem que todos no bairro conheciam por sua aflição de não poder dormir todas as noites. E não dorme por ter de pagar as contas; ou por estar sofrendo por alguém. Ele sofre de perda de sonho constante à noite, todos os dias e por isso, são determinantes que ele engula diversos comprimidos de um remédio pra sono todos os dias. Quis o destino que este remédio terminasse sem que ele pudesse ter como repor. Então cansado de rolar na cama durante a madrugada pensou em sair mais cedo pro trabalho. No momento que ia saindo pra rua escutou o carro que levava os assassinos derrapando na esquina. O que causou medo e o fez se esgueirar ao lado de seu portão ainda dentro de sua casa. Permaneceu abaixado até o final de tudo quando partiram os homens. Uma testemunha da crueldade. Ele contou o que vira pros policiais em sigilo. Viu um homem correndo pela rua com um rosto de pavor estampado olhando pra trás e tropeçando à frente. Cansado e sufocado pela saliva grossa em sua boca. Caiu no primeiro tiro bem na altura dos ombros; bateu sues pés numa pedra solta na rua e foi ao chão abrindo uma fenda na testa que fez o sangue rolar por seu rosto bem pelo seu olho esquerdo. A testa sangrou antes do tiro nas costa começasse a manchar a camisa amarela. Levantou-se cambaleando. Tentou por sua mão onde penetrara a bala buscando aliviasse da ardência que lhe causava a bala. Entretanto não pudera alcançar onde tinha penetrado. Nisso saíram do carro seus assassinos. Ele tentou limpar o sangue do olho pra desnublá-lo. Mais dois tiros. Outro nas costas e um na nuca que fez cair de vez o homem pela última vez. Quicou no chão estendendo sua mão. Uma poça de sangue escorreu de sua nuca e dos outros buracos que lhes causou os tiros empoçando o asfalto ao seu redor. Bananas, maçãs e outras frutas correram pelo asfalto e pela calçada dando matizes tristes ao cenário. Um dos homens se aproximou do cadáver, se abaixou ao seu lado e confirmou se estava realmente morto. Depois, com frieza e uma calma absurda, apanhou uma maçã que rolara pra perto da calçada. Limpando-a e dando uma grande mordida. Voltou pro carro saboreando os favos da vitória.
Gil Petrarca vestia uma camisa branca de pano simples e sem ostentação alguma; uma calça jeans e um sapato preto. Tinha os cabelos muito bem aparados e a barba feita implicava tudo de que era vaidoso. Carregava sempre um pequeno bloco de anotações comuns a todos em sua profissão. Carregava uma câmera no pescoço prendida por uma correia de couro. Era um jovem jornalista que fora enviado por seu jornal para cobrir o crime. Chegou ao local um pouco depois dos policiais. Ele tinha a temeridade de todos os jovens jornalistas que são recém formados. E assim querem ir sempre a fundo a cada história que se metiam. Sabia que poderia desvendar mais do que descobriria na cena do crime. Gostava de ir atrás da notícia atrás da notícia. Fazia mil perguntas e formulava outras mil pra descobrir por si mesmo.
- Como aconteceu? – perguntou Gil Petrarca
- Conheço o meliante – redargüiu o policial mais gordo – era um malandro que cometia pequenos furtos pela região.
- Por pequenos furtos ocasionam-se ter tanto ódio assim seu assassino ou assassinos. Pois, com tantos tiros bem poderia ser algo maior.
- Não sabemos ainda – disse o policial – esse meliante não prestava e todo mundo sabia, era um ninguém que não conseguia trabalho. Tinha que dar nisso algum dia. Não tinha emprego, era de correr dele como gato de água.
- E por que não tinha emprego? – perguntou Gil Petrarca
- Quem vai saber – respondeu o policial baixinho
- Talvez, não devia ser por sua vontade estar desempregado
- E o que te importa isso. O que tens com ele? – disse o rotundo policial
- Não o conhecia. – redargüiu Gil Petrarca
- Então...
- Só quero-me cerca dos fatos que sejam verídicos
- O que quer dizer com isso, jornaleco? - Disse o baixinho
- Nada. Só estou tentando fazer meu trabalho.
- Então, entenda de uma vez por toda, pois o que vou lhe dizer é por ter conhecido o cadáver ai, - tomou a palavra o policial rotundo com uma voz forte e ameaçadora - esta é a única coisa que se pode dizer deste sujeito. Ele estava desempregado por que bem se sabe dele ao que lhe ofereciam de emprego recusava impondo algum motivo de que ele não poderia pegar o serviço. Sempre com uma desculpa. Arrumar problemas com todos os que trabalhavam com ele seja no que fosse. Era um sem jeito pra tudo.
Gil Petrarca conversou com um homem que estava na cena do crime:
- Bem. Eu o via saindo cedo de casa. Por vez voltava tarde. Nunca soube direito o que fazia na rua. Também não o conhecia direito. Uma vez presenciei uma discussão dele num bar aqui por perto. Em que ele era enxotado de lá por dois caras mal-encarados. Fiquei sabendo que ele lhes devia dinheiro de um empréstimo. Também não conheço o porquê do empréstimo.
Uma jovem que ia de passagem pro trabalho também lhe falou:
- Eu conhecia a esposa dele. E sei que eram pessoas normais. Boas. Ele sempre fora mais reservado, sem muita conversa com as visitas em casa. Que na maioria eram de sua esposa, já que ele não era muito sociável. Devia ter muito que pensar.
Gil Petrarca permaneceu em silêncio depois disso pensando na patranha que os policiais contavam. Apresentavam ódio igual ao que poderia ter os seus assassinos. Evidenciava que não poderiam ser eles, pois estava na mesma delegacia onde Gil Petrarca colhia depoimentos de outro crime. Todo o modo com que falaram os policiais aguçou a curiosidade pertinente de jornalista de Gil Petrarca pra descobrir a história atrás da história. Ele se abaixou devagar próximo do cadáver fingindo estar tirando uma foto. Puxou a carteira do cadáver procurando ler o seu nome em seus documentos. E que assim pudesse dar início a sua história.
- Hei – bradou o policial rotundo – você sabe que não pode mexer ai! Seu jornaleco!
- Desculpe – disse Gil Petrarca – estava caindo – ele estende sua mão e entrega a carteira ao policia, mas antes ele teve sucesso em seu intento e pode ler o nome do cadáver que como dizia o documento de identidade era Honório Garcia.
Gil Petrarca queria ir mais fundo na história de Honório Garcia e conferir a história que os policiais lhe contaram. Pelos depoimentos colido não pode descobrir muita coisa. Um homem que sai de casa cedo; fechado, não sociável e pessoa boa não revela o que seu caráter representa.
O nome do último preso era Morgana, um travesti que seduzia suas vítimas com sua sensualidade fingida feminina. Seu conto do vigário travestido. Vestia uma peruca bem loira que imitava o brilho do sol; nas mãos as unhas postiças cumpridas avermelhadas bem comuns a esses tipos de figuras; o vestido negro, curto, chamativo e provocador induziam os homens que queriam possuí-la. E assim, tomados por ingenuidade ou talvez, em muitos casos, o desejo de estar com Morgana, ela os atraia e com um gosto doentio pelo sangue cortava suas vítimas com uma navalha, nos cantos escuros do bairro e saia gritando com o sucesso de seu prazer maior. Assumia seu ponto naquela noite mesmo esperando mais um cliente afoito por seus favores. Morgana tinha saído do um manicômio a menos de um ano, conseguindo enganar seus médicos fazendo-se de curada e ganhado alta. Foi às ruas e renovou seus delírios psicóticos femininos e reiniciou seus crimes. Antes de ser presa cometera assombroso seis assassinatos. Todos cortando seus clientes com a navalha cega suja de sangue de todas as vítimas. Morgana fazia parte de uma lista de vários tipos díspares de criminosos que corriam o bairro do Rosário.
Quando chegaram próximo ao local seguiram pra rua que tinha ocorrido o crime. A rua estava começando a se encher de gente. Ganhava vida a cada momento que o dia ia começando. Eram pessoas que acordaram com os barulhos dos tiros; pessoas que iam pro trabalho, por que bairro pobre de gente humilde trabalho pesado; moradores de rua curiosos e com medo. Dois rapazes com mochilas nas costas passaram olhando atônitos pro cadáver. Uma senhora com um cachecol se benzia enquanto parava por dois segundos pra observa. O que chamou a atenção dos dois policiais que ainda estavam no carro foi um senhor já com uns bons anos jogados nas costas, ele corria na direção do corpo. Estava chorando nervoso e vinha com uma bíblia na mão. Os policias acharam estranho, mas nada fizeram quando perceberam que o senhor chegando perto do cadáver percebe que não o conhecera e que tinha se aflingido por nada pensando ser um conhecido seu. O rosto do senhor ao reconhecer que não conhecia o cadáver foi de imenso alívio e um sorriso disfarçado nos lábio. O peso da culpa por este sentimento não se pode cair em seus ombros. Triste o fado de um pai que chora todas as noites a desesperança de ter o filho de volta em casa. Benzeu-se e fez uma curta oração ao cadáver.
Os policiais comentaram entre si: “deve ter pensado que o filho dele era o cadáver caído no chão”
Os dois policias pediram pra que todos se afastassem. Naquela hora o poste ainda iluminava formando um cenário triste de teatro em volta do cadáver. O ato final de uma vida quando a cortina se fecha. O cadáver estava estendido abaixo do poste bem no meio do fecho de luz que emanava. O cadáver era um homem de seus trinta anos. Cabelos negros bem cortado curtos. Mas de barba maltratada. Um nariz pontudo. Os olhos ninguém viu por que estavam serrados com o ar de desespero comum que se apegam a todos nestas horas incertas. Ele vestia uma blusa da seleção brasileira rasgadas nas costas. Havia caído de bruços na rua com a mão na calçada. Havia um furo na blusa que não tinha sido perfurada pelos três tiros que lhe encravaram por trás. Era de estrago de traça ou desgaste do uso ou os dois. Grafado no muro em frente ao cadáver dizia: “o reino dos Céus está a sua espera”. Parecia o que almejava o cadáver quando caiu com as mãos estendidas na direção da frase pintada. Havia lucidez suficiente pra que pudesse ler a frase? Se pudesse poderia ser-lhe de grande serventia.
Por debaixo do cadáver uma banana espremida entre ele e o asfalto. Um tomate mais a frente e outras frutas e verduras. O homem parecia que tinha ido fazer compras com o espólio do crime. Temerário em seu feito. Foi a gloria.
Os policias começaram perguntando aos que estavam ali se conheciam o cadáver. Bairro pobre gente humilde ninguém fala nada e ninguém via coisa alguma. “é sempre assim, né. Surdos, mudos”. Dizia um dos policiais.
Um homem que todos no bairro conheciam por sua aflição de não poder dormir todas as noites. E não dorme por ter de pagar as contas; ou por estar sofrendo por alguém. Ele sofre de perda de sonho constante à noite, todos os dias e por isso, são determinantes que ele engula diversos comprimidos de um remédio pra sono todos os dias. Quis o destino que este remédio terminasse sem que ele pudesse ter como repor. Então cansado de rolar na cama durante a madrugada pensou em sair mais cedo pro trabalho. No momento que ia saindo pra rua escutou o carro que levava os assassinos derrapando na esquina. O que causou medo e o fez se esgueirar ao lado de seu portão ainda dentro de sua casa. Permaneceu abaixado até o final de tudo quando partiram os homens. Uma testemunha da crueldade. Ele contou o que vira pros policiais em sigilo. Viu um homem correndo pela rua com um rosto de pavor estampado olhando pra trás e tropeçando à frente. Cansado e sufocado pela saliva grossa em sua boca. Caiu no primeiro tiro bem na altura dos ombros; bateu sues pés numa pedra solta na rua e foi ao chão abrindo uma fenda na testa que fez o sangue rolar por seu rosto bem pelo seu olho esquerdo. A testa sangrou antes do tiro nas costa começasse a manchar a camisa amarela. Levantou-se cambaleando. Tentou por sua mão onde penetrara a bala buscando aliviasse da ardência que lhe causava a bala. Entretanto não pudera alcançar onde tinha penetrado. Nisso saíram do carro seus assassinos. Ele tentou limpar o sangue do olho pra desnublá-lo. Mais dois tiros. Outro nas costas e um na nuca que fez cair de vez o homem pela última vez. Quicou no chão estendendo sua mão. Uma poça de sangue escorreu de sua nuca e dos outros buracos que lhes causou os tiros empoçando o asfalto ao seu redor. Bananas, maçãs e outras frutas correram pelo asfalto e pela calçada dando matizes tristes ao cenário. Um dos homens se aproximou do cadáver, se abaixou ao seu lado e confirmou se estava realmente morto. Depois, com frieza e uma calma absurda, apanhou uma maçã que rolara pra perto da calçada. Limpando-a e dando uma grande mordida. Voltou pro carro saboreando os favos da vitória.
Gil Petrarca vestia uma camisa branca de pano simples e sem ostentação alguma; uma calça jeans e um sapato preto. Tinha os cabelos muito bem aparados e a barba feita implicava tudo de que era vaidoso. Carregava sempre um pequeno bloco de anotações comuns a todos em sua profissão. Carregava uma câmera no pescoço prendida por uma correia de couro. Era um jovem jornalista que fora enviado por seu jornal para cobrir o crime. Chegou ao local um pouco depois dos policiais. Ele tinha a temeridade de todos os jovens jornalistas que são recém formados. E assim querem ir sempre a fundo a cada história que se metiam. Sabia que poderia desvendar mais do que descobriria na cena do crime. Gostava de ir atrás da notícia atrás da notícia. Fazia mil perguntas e formulava outras mil pra descobrir por si mesmo.
- Como aconteceu? – perguntou Gil Petrarca
- Conheço o meliante – redargüiu o policial mais gordo – era um malandro que cometia pequenos furtos pela região.
- Por pequenos furtos ocasionam-se ter tanto ódio assim seu assassino ou assassinos. Pois, com tantos tiros bem poderia ser algo maior.
- Não sabemos ainda – disse o policial – esse meliante não prestava e todo mundo sabia, era um ninguém que não conseguia trabalho. Tinha que dar nisso algum dia. Não tinha emprego, era de correr dele como gato de água.
- E por que não tinha emprego? – perguntou Gil Petrarca
- Quem vai saber – respondeu o policial baixinho
- Talvez, não devia ser por sua vontade estar desempregado
- E o que te importa isso. O que tens com ele? – disse o rotundo policial
- Não o conhecia. – redargüiu Gil Petrarca
- Então...
- Só quero-me cerca dos fatos que sejam verídicos
- O que quer dizer com isso, jornaleco? - Disse o baixinho
- Nada. Só estou tentando fazer meu trabalho.
- Então, entenda de uma vez por toda, pois o que vou lhe dizer é por ter conhecido o cadáver ai, - tomou a palavra o policial rotundo com uma voz forte e ameaçadora - esta é a única coisa que se pode dizer deste sujeito. Ele estava desempregado por que bem se sabe dele ao que lhe ofereciam de emprego recusava impondo algum motivo de que ele não poderia pegar o serviço. Sempre com uma desculpa. Arrumar problemas com todos os que trabalhavam com ele seja no que fosse. Era um sem jeito pra tudo.
Gil Petrarca conversou com um homem que estava na cena do crime:
- Bem. Eu o via saindo cedo de casa. Por vez voltava tarde. Nunca soube direito o que fazia na rua. Também não o conhecia direito. Uma vez presenciei uma discussão dele num bar aqui por perto. Em que ele era enxotado de lá por dois caras mal-encarados. Fiquei sabendo que ele lhes devia dinheiro de um empréstimo. Também não conheço o porquê do empréstimo.
Uma jovem que ia de passagem pro trabalho também lhe falou:
- Eu conhecia a esposa dele. E sei que eram pessoas normais. Boas. Ele sempre fora mais reservado, sem muita conversa com as visitas em casa. Que na maioria eram de sua esposa, já que ele não era muito sociável. Devia ter muito que pensar.
Gil Petrarca permaneceu em silêncio depois disso pensando na patranha que os policiais contavam. Apresentavam ódio igual ao que poderia ter os seus assassinos. Evidenciava que não poderiam ser eles, pois estava na mesma delegacia onde Gil Petrarca colhia depoimentos de outro crime. Todo o modo com que falaram os policiais aguçou a curiosidade pertinente de jornalista de Gil Petrarca pra descobrir a história atrás da história. Ele se abaixou devagar próximo do cadáver fingindo estar tirando uma foto. Puxou a carteira do cadáver procurando ler o seu nome em seus documentos. E que assim pudesse dar início a sua história.
- Hei – bradou o policial rotundo – você sabe que não pode mexer ai! Seu jornaleco!
- Desculpe – disse Gil Petrarca – estava caindo – ele estende sua mão e entrega a carteira ao policia, mas antes ele teve sucesso em seu intento e pode ler o nome do cadáver que como dizia o documento de identidade era Honório Garcia.
Gil Petrarca queria ir mais fundo na história de Honório Garcia e conferir a história que os policiais lhe contaram. Pelos depoimentos colido não pode descobrir muita coisa. Um homem que sai de casa cedo; fechado, não sociável e pessoa boa não revela o que seu caráter representa.
continua...
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