Quero que tua boca
A minha encoste
E que se empedernissem pelo amor
Tornar-se-iam, por desejo, eternas
Quero que tua mão
A minha entrelace
E que se empedernissem pelo amor
Tornar-se-iam, por desejo, uma só
Quero que teu coração
Ao meu se junte
E que se empedernissem pelo amor
Tornar-se-iam, por desejo, divinais
quinta-feira, 19 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
nem tudo
Artur Costa Lopes
Nem tudo...
Nem tudo que voa tem asas
Nem tudo que anda tem patas
Nem toda pancada incha
Nem todo artista é bicha
Nem toda criança tem verme
Nem todo caroço é berni
Nem todo papo tem assunto
Nem todo artista é vagabundo
Nem todo rico é esnobe
Nem toda égua dá trote
Nem toda tenda é de circo
Nem todo artista é bonito
Nem todo caco é de vidro
Nem todo louco é do hospício
Nem todo palhaço gosta de aparecer
Nem todo artista tem que estar na TV
Nem todo mar é profundo
Nem todo morto é difunto
Nem todo templo é abençoado
Nem todo artista é engraçado
Nem tudo que se termina fica completamente feito
Nem todo artista, obrigatoriamente, deve ser perfeito
Nem tudo...
Nem tudo que voa tem asas
Nem tudo que anda tem patas
Nem toda pancada incha
Nem todo artista é bicha
Nem toda criança tem verme
Nem todo caroço é berni
Nem todo papo tem assunto
Nem todo artista é vagabundo
Nem todo rico é esnobe
Nem toda égua dá trote
Nem toda tenda é de circo
Nem todo artista é bonito
Nem todo caco é de vidro
Nem todo louco é do hospício
Nem todo palhaço gosta de aparecer
Nem todo artista tem que estar na TV
Nem todo mar é profundo
Nem todo morto é difunto
Nem todo templo é abençoado
Nem todo artista é engraçado
Nem tudo que se termina fica completamente feito
Nem todo artista, obrigatoriamente, deve ser perfeito
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
BRASILEIRO
Chapa de aço
Chovia bala perdida. Nuvens de traçante. Não era guerra, mas o som do tiroteio de tudo quanto era calibre pronunciava algo bem parecido, ainda por conciliar esta semelhança com o barulho de uma granada emanando-se pavorosamente.
- Assim não é possível – disse Brasileiro à sua esposa quando percebeu que dois tiros tinham destroçado o último troféu que conquistou no grande torneio de futebol do bairro que mora. - Todo dia acontece de entrar bala aqui bem. Quando isso vai ter fim? – perguntou Brasileiro, mas era em vão, e não esperava resposta. Ele sabia que não as tinha a esposa. Quem as tinha então? Ele sabia que eram os políticos. Esses homens que o povo escolhe pra governar as vossas vidas, mas que no fundo somente a deles eles dão atenção. E a dos familiares, claro, quando tinham que pôr-los ao seu lado no gabinete, na prefeitura.
- Como vem a se chamar isso bem? – perguntou Brasileiro e essa não foi em vão. A esposa sabia, pois lhe falara ontem mesmo:
- É nepotismo bem.
- Deve ser – o caso era que Brasileiro conhecia aonde procuraria quem o ajuda-se. E na semana seguinte teria a oportunidade. Nessa semana trabalharia em sua casa.
Desceu sua rua – na semana seguinte - em direção a uma turba de militantes de um candidato a prefeito na esperança de encontrá-lo ali a pedir votos. E teve sorte. Estava lá o sujeito nos braços humildes do povo que a tudo espera que se dê jeito. Estava de sorriso armado. Cínico ou não ele gostava de ali estar. Pois que sendo época de eleição era o local certo. “dê-me seu voto, meu povo, que eu trago milagres” essa era a mensagem oculta e dissimulada do sorriso no rosto do candidato.
- E os tiroteios quando vão acabar? – perguntou Brasileiro.
- Meu caro amigo Brasileiro. Que bom que veio. Estou imensamente feliz. – parecia que o melhor amigo do candidato acabara de chegar, mas todos ali não são seus melhores amigos? Embora todos os candidatos fossem desta simpatia, a Brasileiro ele não convencia. Ele queria sua resposta.
- Vamos fazer melhorias em todas as áreas do nosso bairro – o candidato deve ter uma maquiagem de ferro para repetir tantas e tantas vezes as mesmas promessas. A mesma ladainha sempre. Deve ter, por que também elas nunca acabam.
- Gostaria que fosse a minha casa – disse o Brasileiro
- Sim, será um imenso prazer meu amigo – disse o candidato
Depois de mais alguns apertos de mão e abraços fingidos o candidato arrumou um tempo pra ir com Brasileiro a sua casa. Lá chegando se sentaram no sofá, apanhou uma xícara de café. Bom, não era uma xícara, mas o prefeito disse que era por simpatia. Depois elogiou o café, isso fora deveras, pois que nem tudo proferido da boca de político eram mentiras. O café de esposa era conhecido por todos do bairro e muito apreciado.
- Gostaria de saber o que o senhor pensa de sua gente? – pergunta inesperada e desconcertante que fizera Brasileiro. E por alguns segundos teve de pensar o candidato. Não tinha nenhum discurso em memória naquele instante. Por fim respondeu emendando as palavras:
- A esse povo maravilhoso que tenho orgulho de dizer que daqui vim. Louvo todos os caracteres desta gente forte e lutadora que vive de seu trabalho honesto e suado. Os braços fortes que movimentam a economia deste país. Esses homens que brigam por suas famílias. As mulheres dedicadas a elas. Os filhos amorosos. Essa minha gente nobre que sorri nas dificuldades. Goza da força de seus corpos nas grandes festas animadas.
- É nisso que teu discurso lhe faz acreditar. Pois você bem sabe que em nada estas palavras são verdadeiras; pelo menos no jeito que você fala. Quando daqui saiu à coisa já não era boa, e você pode muito bem se lembrar. O pior você não conheceu por aqui não estar, não sentiu na pele, mas sabe o que tudo acontece com o povo de teu lugar. Trabalhamos honesto e suado, sim, e nisso gostaríamos de crer que vocês do poder também façam. Olhando por nós e nos ajudando, amparando com as mãos nós que aqui precisamos muito. Como você disse “brigamos por nossa família” defendemos como podemos dos bandidos que nos rodeiam. Fazendo barreiras pras balas não penetrarem; fazendo barreiras pras águas não penetrarem. Lutamos com as escassas armas que temos, entretanto você as tem em mais números e pra nosso beneficio. E como não sorri nas dificuldades, pois nelas encontramos os amigos com sorrisos nos rostos tentando nos alegrar trazendo esperança. Apoio. O sorriso no rosto, não a tristeza na alma. As grandes festas animadas são pra purificar esta alma sedenta por uma vida mais digna, que venha por você, por onde se deve começar.
- Que isso amigo Brasileiro, vamos arrumar tudo. – disse o candidato intimidado
- Espero que tenha verdade nas suas palavras.
Um grande tiroteio iniciou-se interrompendo a conversa. O candidato enlouquecido de medo se jogou ao chão, rastejando-se até um sofá que já havia um buraco de bala. Apavorado ao vê-lo correu de quatro até uma estante próxima. Ali ele pode notar que Brasileiro e sua esposa nada faziam. Pareciam não temer os tiros que zuniam por todo o telhado. Se arrebentado na parede do lado de fora.
- Não tenha medo. Depois de tantas vezes que passamos o pavor que agora você passa, mandei que derrubassem esta parede e a reforcei com concreto. Bala aqui não entra mais. Nas janelas lá em cima pus chapas de aço de grande espessura, também lá não entram.
- Muito bem feito Brasileiro. Sempre dando um jeitinho
- O que vai fazer quanto a tudo isso?
- Bom, pra começar vou mandar fazer paredes como essa lá em casa. Depois acertamos o resto.
- Tome – Brasileiro estende sua mão ao candidato e lhe dá um troféu crispado de balas - era de seu pai. Que muito nos ajudou aqui.
Depois se foi o candidato, mas não sem antes fazer outras promessas.
- Você acha que ele vai ajudar? - perguntou a esposa
- Não sei – responde Brasileiro – mas como ele disse: “somos gente nobre que sorri nas dificuldades”, um dia iremos sorri, sim, mas sem as dificuldades.
- Assim não é possível – disse Brasileiro à sua esposa quando percebeu que dois tiros tinham destroçado o último troféu que conquistou no grande torneio de futebol do bairro que mora. - Todo dia acontece de entrar bala aqui bem. Quando isso vai ter fim? – perguntou Brasileiro, mas era em vão, e não esperava resposta. Ele sabia que não as tinha a esposa. Quem as tinha então? Ele sabia que eram os políticos. Esses homens que o povo escolhe pra governar as vossas vidas, mas que no fundo somente a deles eles dão atenção. E a dos familiares, claro, quando tinham que pôr-los ao seu lado no gabinete, na prefeitura.
- Como vem a se chamar isso bem? – perguntou Brasileiro e essa não foi em vão. A esposa sabia, pois lhe falara ontem mesmo:
- É nepotismo bem.
- Deve ser – o caso era que Brasileiro conhecia aonde procuraria quem o ajuda-se. E na semana seguinte teria a oportunidade. Nessa semana trabalharia em sua casa.
Desceu sua rua – na semana seguinte - em direção a uma turba de militantes de um candidato a prefeito na esperança de encontrá-lo ali a pedir votos. E teve sorte. Estava lá o sujeito nos braços humildes do povo que a tudo espera que se dê jeito. Estava de sorriso armado. Cínico ou não ele gostava de ali estar. Pois que sendo época de eleição era o local certo. “dê-me seu voto, meu povo, que eu trago milagres” essa era a mensagem oculta e dissimulada do sorriso no rosto do candidato.
- E os tiroteios quando vão acabar? – perguntou Brasileiro.
- Meu caro amigo Brasileiro. Que bom que veio. Estou imensamente feliz. – parecia que o melhor amigo do candidato acabara de chegar, mas todos ali não são seus melhores amigos? Embora todos os candidatos fossem desta simpatia, a Brasileiro ele não convencia. Ele queria sua resposta.
- Vamos fazer melhorias em todas as áreas do nosso bairro – o candidato deve ter uma maquiagem de ferro para repetir tantas e tantas vezes as mesmas promessas. A mesma ladainha sempre. Deve ter, por que também elas nunca acabam.
- Gostaria que fosse a minha casa – disse o Brasileiro
- Sim, será um imenso prazer meu amigo – disse o candidato
Depois de mais alguns apertos de mão e abraços fingidos o candidato arrumou um tempo pra ir com Brasileiro a sua casa. Lá chegando se sentaram no sofá, apanhou uma xícara de café. Bom, não era uma xícara, mas o prefeito disse que era por simpatia. Depois elogiou o café, isso fora deveras, pois que nem tudo proferido da boca de político eram mentiras. O café de esposa era conhecido por todos do bairro e muito apreciado.
- Gostaria de saber o que o senhor pensa de sua gente? – pergunta inesperada e desconcertante que fizera Brasileiro. E por alguns segundos teve de pensar o candidato. Não tinha nenhum discurso em memória naquele instante. Por fim respondeu emendando as palavras:
- A esse povo maravilhoso que tenho orgulho de dizer que daqui vim. Louvo todos os caracteres desta gente forte e lutadora que vive de seu trabalho honesto e suado. Os braços fortes que movimentam a economia deste país. Esses homens que brigam por suas famílias. As mulheres dedicadas a elas. Os filhos amorosos. Essa minha gente nobre que sorri nas dificuldades. Goza da força de seus corpos nas grandes festas animadas.
- É nisso que teu discurso lhe faz acreditar. Pois você bem sabe que em nada estas palavras são verdadeiras; pelo menos no jeito que você fala. Quando daqui saiu à coisa já não era boa, e você pode muito bem se lembrar. O pior você não conheceu por aqui não estar, não sentiu na pele, mas sabe o que tudo acontece com o povo de teu lugar. Trabalhamos honesto e suado, sim, e nisso gostaríamos de crer que vocês do poder também façam. Olhando por nós e nos ajudando, amparando com as mãos nós que aqui precisamos muito. Como você disse “brigamos por nossa família” defendemos como podemos dos bandidos que nos rodeiam. Fazendo barreiras pras balas não penetrarem; fazendo barreiras pras águas não penetrarem. Lutamos com as escassas armas que temos, entretanto você as tem em mais números e pra nosso beneficio. E como não sorri nas dificuldades, pois nelas encontramos os amigos com sorrisos nos rostos tentando nos alegrar trazendo esperança. Apoio. O sorriso no rosto, não a tristeza na alma. As grandes festas animadas são pra purificar esta alma sedenta por uma vida mais digna, que venha por você, por onde se deve começar.
- Que isso amigo Brasileiro, vamos arrumar tudo. – disse o candidato intimidado
- Espero que tenha verdade nas suas palavras.
Um grande tiroteio iniciou-se interrompendo a conversa. O candidato enlouquecido de medo se jogou ao chão, rastejando-se até um sofá que já havia um buraco de bala. Apavorado ao vê-lo correu de quatro até uma estante próxima. Ali ele pode notar que Brasileiro e sua esposa nada faziam. Pareciam não temer os tiros que zuniam por todo o telhado. Se arrebentado na parede do lado de fora.
- Não tenha medo. Depois de tantas vezes que passamos o pavor que agora você passa, mandei que derrubassem esta parede e a reforcei com concreto. Bala aqui não entra mais. Nas janelas lá em cima pus chapas de aço de grande espessura, também lá não entram.
- Muito bem feito Brasileiro. Sempre dando um jeitinho
- O que vai fazer quanto a tudo isso?
- Bom, pra começar vou mandar fazer paredes como essa lá em casa. Depois acertamos o resto.
- Tome – Brasileiro estende sua mão ao candidato e lhe dá um troféu crispado de balas - era de seu pai. Que muito nos ajudou aqui.
Depois se foi o candidato, mas não sem antes fazer outras promessas.
- Você acha que ele vai ajudar? - perguntou a esposa
- Não sei – responde Brasileiro – mas como ele disse: “somos gente nobre que sorri nas dificuldades”, um dia iremos sorri, sim, mas sem as dificuldades.
Do roubo (part - 02 de 02)
O dia veio triste e com uma chuva que era incomum naquela época do ano. Veio o velório e o enterro que Gil Petrarca respeitou assim como a dor dos dias mais difíceis e de maior sofrimento. Assim que se percebera que se emanava o luto ele foi ao encontro da esposa de Honório Garcia procurando saber o que o levou ao “engodo fadado a todo miserável”. Como disseram os policiais. Benedita Garcia ainda chorava a morte do marido quando Gil Petrarca ia lhe fazendo perguntas.
- Vou contar o que o levou a fazer o que fez! – disse Benedita Garcia com um lenço enrolado que trazia o nome da filha mais nova de Honório Garcia.
- Não lhe entendo – disse Gil Petrarca
- Vou lhe contar a história de meu marido. Seu desespero. Um dia discutimos. Eu perguntei a ele: “O que há de se fazer daqui em diante em nossa vida” “o que fazer com dignidade não sei mais, pois também já não a possuo, mas com a força se encaminha a saída” “com deus está à saída Honório” - eu lhe disse ao que ele retrucou: “já não posso contar com ele minha cara” “pois ele conta sempre com você ao olhar por nós”
Disse Benedita depositando sua mão em cima de uma bíblia olhando firme pra Gil Petrarca e continuou a lhe contar a história.
“Como posso me olhar no espelho impotente de alimentar meus filhos sem que tome uma atitude. Seria uma covardia minha não lutar por eles. Entenda Benedita que o que vou fazer é por vocês e que não faria se o destino o se impusesse assim.” - Foi o que ele me disse. E naquele instante sabia que ele estava decidido a tal coisa. “perdera tua fé?” – eu perguntei e ele: “ter-se-á dentro de minha esta fé. A mesma que essa noite eu cobri com lençol sujo pra tapá-la em meu coração”
Benedita contou muitas outras coisas com detalhes e lucidez que surpreendeu o jornalista. Ela fez a melhor declaração de um crime que qualquer um que o tenha tentado fazer para Gil Petrarca. Por várias horas ficou naquele conto.
No dia seguinte Gil Petrarca publicou sua reportagem contando com detalhes do triste desespero ao fim trágico de Honório Garcia.
E assim dizia sua reportagem:
“Três era o número da camisa que vestia Honório Garcia. Três tiros fora o que afligiu suas costas. Destino! Maldade por certo, dos que cometeram o crime. Que brincaram com o número da camisa. Que brincaram com suas armas ao descobrir o número e depois do primeiro tiro que levou Honório Garcia por terra, quiseram igualar em tiros o número da camisa que devia ser o do ídolo do falecido. Honório Garcia há meses lutava de madrugada a procura de emprego. Assim como muitos outros por ai. Desde que fora demitido do seu último trabalho por ter sido substituído de seu posto e inserido em outro setor que nada sabia fazer; tudo pra favorecer um sobrinho de um funcionário de maior patente. Durante esses meses todos, nada pode arrumar Honório Garcia que o aliviasse do peso do sofrimento de ver os seus filhos passar necessidades. Primeiro veio o fim dos passeios no parque pra tomar sorvetes; logo não havia mais roupas novas; e por fim o drama maior veio atingir rápido à família: a fome. Já não podiam estender as mãos os vizinhos que muito lhes auxiliaram nestes meses de dificuldade. Bairro pobre de gente humilde não a que muito tenha. A casa humilde enquanto Honório Garcia mantinha-se empregado tornou-se miserável com o tempo. Faltava de tudo já nos últimos dias que antecederam o crime. A água já era doada pelos vizinhos; a luz mantinha-se pelo gato feito há um tempo por Honório Garcia; os filhos dando sinal de desnutrição com desanimado humor; a mulher entristecida todo o dia – mas não reclamava e nunca deixara de apoiar o marido-; a miséria cortante se abatia em tudo dentro de daquela casa. Fazendo crescer o desespero na mente de Honório Garcia. A panela com que sobro da rapa queimada do último bocado de arroz que sobrara. Uma lata de salsicha em conserva e nada mais no jantar da véspera do crime de Honório Garcia culpado, mas desesperado. Inocente na miséria do homem em sua sociedade dispare. Condoído pela sua miséria que fazia curvar o animo de seus filhos Honório Garcia foi à rua entregar-se ao que poderia ser somente a saída pro seu desespero e o medo - que o mal caísse no colo de seus filhos movidos pelo sofrimento de ver a mãe padecer da tristeza daquela ruína – aonde começa a ser necessário o furto. Foi armado de instrumentos de chaveiro que tinha sido a profissão que o pai havia lhe ensinado e desespero. Benedita Garcia impôs que ele desistisse do seu intento, pois, seria mais fácil aceitar a miséria do que a falta de caráter. Mulher religiosa não entregava sua fé. Por isso, mantinha seus ideais de honestidade. Honório Garcia, pai de família, naquela noite queimou todos seus ideias em seu peito aflito. A diligência com a família chegou ao ponto que ele não poderia mais deixar de agir com ousadia e mesmo no erro havia de ponderar Benedita os seus atos. O que ela não deixou de fazer. Abençoando o esposo em sua última saída de casa para tentar suprir a miséria maior pra ele que era ver a fome dos filhos. Deu-lhe um beijo em sua testa e acariciou seu rosto Benedita Garcia. Honório deu sua benção a todos os filhos que já dormiam e saiu pela porta iluminada por um instante que a lua apareceu por entre as nuvens. Já ia sofrendo a morte do marido, Benedita Garcia que ficou a porta dando suas primeiras lágrimas por terra. Carregava a esperança em seu coração - não de se resolver todo o caso de sua miséria aquela saída de seu marido -, mas em Deus que iria neles pousar sua mão. Com os instrumentos de chaveiro Honório Garcia foi ate um pequeno mercadinho em seu bairro na esperança de que quando seus filhos acordassem teriam o que de comer na mesa. E ficasse feliz como há muito não ficava seu pai. Chegou pelas quatro horas. Antes disso ele estava andando atordoado e nervoso pelas ruas esperando que a coragem tomasse conta de sua alma. Era novato no que pretendia. Por fim, o momento se tornou propicio ao seu entendimento – que não era muito, mas por certo honesto – caminhou lentamente pra porta dos fundos do mercado. Abriu-a sem maiores empecilhos e entrou. Ele sabia que não encontraria dinheiro ali e nem era seu querer naquele dia. Queria comida que seria providencial a sua necessidade e de sua família no outro dia. Honório Garcia apanhou dois sacos de arroz, um de feijão, um de macarrão, leite, algumas frutas e verduras. Parecia o suficiente pra alguns dias. Até a divina providência ser recebida ou o caso ter de ser repetido. Então, saiu do mercado carregado dos seus espólios e do alivio de tudo estar dando certo até aquele momento. Quis o acaso que tudo não terminasse bem pra Honório Garcia que infortunamente deu de cara com alguns homens que faziam a vigilância dos comerciantes do bairro. Estavam num carro preto passando devagar a olhar pra todos os lados e nessa de na visão de um deles a silueta de Honório Garcia saindo o mercadinho. Quando ele percebeu os homens no carro partiu em desespero a correr e deixar pelo chão algumas coisas que apanhara. O carro acelerou e todos dentro se equiparam com capuz negro nos rostos. Honório corria o mais que lhe dava pernas seu medo. Sabia que não poderia ficar vivo se o pegassem, pois conhecia os métodos desses vigias por outros casos no bairro ocorrido. O que lhe dava mais medo. Um tropeço um saco de feijão, outro desenguilibrio e vários sacos por terra. Já não restava quase nada em sua mão dos espólios e no ar de medo em seu rosto podia pensar ainda que o que poderia levar aos seus filhos seria muito pouco, mas que serviria pra um dia. Bem se o pavor de tudo que estava acontecendo não o furta-se estes pensamentos e o fizesse lhe perguntar se chegaria pelo menos à próxima esquina vivo. Ou se chegaria como os sacos espatifados no chão. No calor do pavor ele atinava todos esses pensamentos e um mais, em Benedita que ficaria sozinha com a miséria que ele cativou sem querer em momento algum. Devido ao caráter dos que eram seus amigos de trabalho. Quando apenas restavam umas simples frutas em suas posses e já não via os homens indo atrás dele é que Honório Garcia diminuiu a corrida desatinada que dava pelas ruas vazia do bairro. Não parou de correr, pois não cessavam os pensamentos de pavor em sua mente. Uma derrapada era o sinal de alerta. O carro virara em velocidade perturbadora. Honório Garcia já não tinha forças em suas pernas e veio o primeiro tiro que o levou por terra. O segundo e o terceiro que pôs fim aos dramas do homem que fazia do desespero a esperança de alento à família na miséria séria da sociedade. Uma gente pobre de bairro humilde.”
Assim contou sua reportagem Gil Petrarca no jornal que se indignou com a morte de um pai aflito.
O que acontecia com o ódio que sentiam os policia por Honório Garcia era a devida proteção que eles faziam a ex-policias que agiam como segurança do bairro do rosário. Os assassinos se comunicaram com os dois policiais pra que estes cobrissem o caso e abafasse tudo. Um inquérito foi feito logo após a divulgação da reportagem levando a prisão dos envolvidos perversos assassinos.
- Vou contar o que o levou a fazer o que fez! – disse Benedita Garcia com um lenço enrolado que trazia o nome da filha mais nova de Honório Garcia.
- Não lhe entendo – disse Gil Petrarca
- Vou lhe contar a história de meu marido. Seu desespero. Um dia discutimos. Eu perguntei a ele: “O que há de se fazer daqui em diante em nossa vida” “o que fazer com dignidade não sei mais, pois também já não a possuo, mas com a força se encaminha a saída” “com deus está à saída Honório” - eu lhe disse ao que ele retrucou: “já não posso contar com ele minha cara” “pois ele conta sempre com você ao olhar por nós”
Disse Benedita depositando sua mão em cima de uma bíblia olhando firme pra Gil Petrarca e continuou a lhe contar a história.
“Como posso me olhar no espelho impotente de alimentar meus filhos sem que tome uma atitude. Seria uma covardia minha não lutar por eles. Entenda Benedita que o que vou fazer é por vocês e que não faria se o destino o se impusesse assim.” - Foi o que ele me disse. E naquele instante sabia que ele estava decidido a tal coisa. “perdera tua fé?” – eu perguntei e ele: “ter-se-á dentro de minha esta fé. A mesma que essa noite eu cobri com lençol sujo pra tapá-la em meu coração”
Benedita contou muitas outras coisas com detalhes e lucidez que surpreendeu o jornalista. Ela fez a melhor declaração de um crime que qualquer um que o tenha tentado fazer para Gil Petrarca. Por várias horas ficou naquele conto.
No dia seguinte Gil Petrarca publicou sua reportagem contando com detalhes do triste desespero ao fim trágico de Honório Garcia.
E assim dizia sua reportagem:
“Três era o número da camisa que vestia Honório Garcia. Três tiros fora o que afligiu suas costas. Destino! Maldade por certo, dos que cometeram o crime. Que brincaram com o número da camisa. Que brincaram com suas armas ao descobrir o número e depois do primeiro tiro que levou Honório Garcia por terra, quiseram igualar em tiros o número da camisa que devia ser o do ídolo do falecido. Honório Garcia há meses lutava de madrugada a procura de emprego. Assim como muitos outros por ai. Desde que fora demitido do seu último trabalho por ter sido substituído de seu posto e inserido em outro setor que nada sabia fazer; tudo pra favorecer um sobrinho de um funcionário de maior patente. Durante esses meses todos, nada pode arrumar Honório Garcia que o aliviasse do peso do sofrimento de ver os seus filhos passar necessidades. Primeiro veio o fim dos passeios no parque pra tomar sorvetes; logo não havia mais roupas novas; e por fim o drama maior veio atingir rápido à família: a fome. Já não podiam estender as mãos os vizinhos que muito lhes auxiliaram nestes meses de dificuldade. Bairro pobre de gente humilde não a que muito tenha. A casa humilde enquanto Honório Garcia mantinha-se empregado tornou-se miserável com o tempo. Faltava de tudo já nos últimos dias que antecederam o crime. A água já era doada pelos vizinhos; a luz mantinha-se pelo gato feito há um tempo por Honório Garcia; os filhos dando sinal de desnutrição com desanimado humor; a mulher entristecida todo o dia – mas não reclamava e nunca deixara de apoiar o marido-; a miséria cortante se abatia em tudo dentro de daquela casa. Fazendo crescer o desespero na mente de Honório Garcia. A panela com que sobro da rapa queimada do último bocado de arroz que sobrara. Uma lata de salsicha em conserva e nada mais no jantar da véspera do crime de Honório Garcia culpado, mas desesperado. Inocente na miséria do homem em sua sociedade dispare. Condoído pela sua miséria que fazia curvar o animo de seus filhos Honório Garcia foi à rua entregar-se ao que poderia ser somente a saída pro seu desespero e o medo - que o mal caísse no colo de seus filhos movidos pelo sofrimento de ver a mãe padecer da tristeza daquela ruína – aonde começa a ser necessário o furto. Foi armado de instrumentos de chaveiro que tinha sido a profissão que o pai havia lhe ensinado e desespero. Benedita Garcia impôs que ele desistisse do seu intento, pois, seria mais fácil aceitar a miséria do que a falta de caráter. Mulher religiosa não entregava sua fé. Por isso, mantinha seus ideais de honestidade. Honório Garcia, pai de família, naquela noite queimou todos seus ideias em seu peito aflito. A diligência com a família chegou ao ponto que ele não poderia mais deixar de agir com ousadia e mesmo no erro havia de ponderar Benedita os seus atos. O que ela não deixou de fazer. Abençoando o esposo em sua última saída de casa para tentar suprir a miséria maior pra ele que era ver a fome dos filhos. Deu-lhe um beijo em sua testa e acariciou seu rosto Benedita Garcia. Honório deu sua benção a todos os filhos que já dormiam e saiu pela porta iluminada por um instante que a lua apareceu por entre as nuvens. Já ia sofrendo a morte do marido, Benedita Garcia que ficou a porta dando suas primeiras lágrimas por terra. Carregava a esperança em seu coração - não de se resolver todo o caso de sua miséria aquela saída de seu marido -, mas em Deus que iria neles pousar sua mão. Com os instrumentos de chaveiro Honório Garcia foi ate um pequeno mercadinho em seu bairro na esperança de que quando seus filhos acordassem teriam o que de comer na mesa. E ficasse feliz como há muito não ficava seu pai. Chegou pelas quatro horas. Antes disso ele estava andando atordoado e nervoso pelas ruas esperando que a coragem tomasse conta de sua alma. Era novato no que pretendia. Por fim, o momento se tornou propicio ao seu entendimento – que não era muito, mas por certo honesto – caminhou lentamente pra porta dos fundos do mercado. Abriu-a sem maiores empecilhos e entrou. Ele sabia que não encontraria dinheiro ali e nem era seu querer naquele dia. Queria comida que seria providencial a sua necessidade e de sua família no outro dia. Honório Garcia apanhou dois sacos de arroz, um de feijão, um de macarrão, leite, algumas frutas e verduras. Parecia o suficiente pra alguns dias. Até a divina providência ser recebida ou o caso ter de ser repetido. Então, saiu do mercado carregado dos seus espólios e do alivio de tudo estar dando certo até aquele momento. Quis o acaso que tudo não terminasse bem pra Honório Garcia que infortunamente deu de cara com alguns homens que faziam a vigilância dos comerciantes do bairro. Estavam num carro preto passando devagar a olhar pra todos os lados e nessa de na visão de um deles a silueta de Honório Garcia saindo o mercadinho. Quando ele percebeu os homens no carro partiu em desespero a correr e deixar pelo chão algumas coisas que apanhara. O carro acelerou e todos dentro se equiparam com capuz negro nos rostos. Honório corria o mais que lhe dava pernas seu medo. Sabia que não poderia ficar vivo se o pegassem, pois conhecia os métodos desses vigias por outros casos no bairro ocorrido. O que lhe dava mais medo. Um tropeço um saco de feijão, outro desenguilibrio e vários sacos por terra. Já não restava quase nada em sua mão dos espólios e no ar de medo em seu rosto podia pensar ainda que o que poderia levar aos seus filhos seria muito pouco, mas que serviria pra um dia. Bem se o pavor de tudo que estava acontecendo não o furta-se estes pensamentos e o fizesse lhe perguntar se chegaria pelo menos à próxima esquina vivo. Ou se chegaria como os sacos espatifados no chão. No calor do pavor ele atinava todos esses pensamentos e um mais, em Benedita que ficaria sozinha com a miséria que ele cativou sem querer em momento algum. Devido ao caráter dos que eram seus amigos de trabalho. Quando apenas restavam umas simples frutas em suas posses e já não via os homens indo atrás dele é que Honório Garcia diminuiu a corrida desatinada que dava pelas ruas vazia do bairro. Não parou de correr, pois não cessavam os pensamentos de pavor em sua mente. Uma derrapada era o sinal de alerta. O carro virara em velocidade perturbadora. Honório Garcia já não tinha forças em suas pernas e veio o primeiro tiro que o levou por terra. O segundo e o terceiro que pôs fim aos dramas do homem que fazia do desespero a esperança de alento à família na miséria séria da sociedade. Uma gente pobre de bairro humilde.”
Assim contou sua reportagem Gil Petrarca no jornal que se indignou com a morte de um pai aflito.
O que acontecia com o ódio que sentiam os policia por Honório Garcia era a devida proteção que eles faziam a ex-policias que agiam como segurança do bairro do rosário. Os assassinos se comunicaram com os dois policiais pra que estes cobrissem o caso e abafasse tudo. Um inquérito foi feito logo após a divulgação da reportagem levando a prisão dos envolvidos perversos assassinos.
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