Esta é minha primeira crônica. E escrevo sobre nosso povo.
Ela mostrará quem é o brasileiro. Que tipo dispare aqui temos nos mais diversos casos de personalidades singulares. Pois aqui há de um tudo e de alguns casos destes que quero trazer à luz neste espaço.
BRASILEIRO
Ela mostrará quem é o brasileiro. Que tipo dispare aqui temos nos mais diversos casos de personalidades singulares. Pois aqui há de um tudo e de alguns casos destes que quero trazer à luz neste espaço.
BRASILEIRO
Trabalho duro, amor gostoso
- Ô Brasileiro, vem cá! – disse o homem rotundo que acaba de sair do elevador, mas Brasileiro não acordou, nem mesmo estava dormindo. Vislumbrava as imagens da noite passada no seu quartinho; seu ventilador barulhento girando; sua cama desarrumada pelas pernas morenas da mulher que ama. “ô Brasileiro” chamou o homem e outra vez não fora ouvido. Aproximou-se então e deu um chutinho na cadeira que estava sentado o Brasileiro.
- Ô patrão, desculpa, não ouvi o senhor.
- Tava a pensar em que?
- Na flor que brotou pra mim na minha cama.
- Que flor? – perguntou o homem.
- A rosa mais cheirosa do bairro; mais linda violeta da estufa.
- Que violeta?
- Violeta não, era uma camélia insaciável e de pétalas grossas.
- Era uma estufa ou um puteiro em que tu estavas?
- Que isso patrão é minha namorada.
- Ta bom – disse o homem já sem paciência pras ilusões do porteiro – vai lá em cima e apanha um saco que deixei no corredor.
- Vou sim, senhor.
- A besta da minha mulher ta enchendo meu saco. Mandou que tirasse meus livros da estante pra por as fotos de nossa viajem pro Havaí. Olha rapaz, pena que tive que ir com minha mulher, por que lá só tinha mulher linda. De tudo qual era tipo de tamanho, formas e cores era um arem.
Brasileiro não falou nada, mas concordava com o homem. Conhecia a besta e como era feia, uma mulher sisuda e grossa.
- Então, vai lá Brasileiro, mas não sobe pelo elevador, por que tão reclamando de você.
- Mas o senhor mora no décimo quinto andar! – disse Brasileiro já esperando o trabalhão que teria.
- Sem problemas, vai lá.
Ele batalhador reclama, mas não deixa de fazer. Entretanto aquelas tantas escadas dariam pra pensar por muito tempo na sua rosa cheirosa, camélia de pétalas grossas. E assim foi pelas escadas de quando em quando tropeçava nos degraus ao perder a consciência do mundo real e deixar ébriar-se pelas suas reminiscências. Com isso atingiu o primeiro andar, o segundo, o décimo e enfim o décimo quinto e no corredor avista o saco. Grande, cheio, pesado “não vai de elevador” lembrava o patrão falando.
Encostou-se à parede cansado da subida e esperou o animo chegar pra descer com o saco. Mais um sossego rápido pra pensar na mulher que acalenta seus pensamentos que tinham pouso na sua cama, em seus lençóis almogados pelos corpos nele se entrelaçando.
- Ta dormindo de novo Brasileiro – não percebera o elevador. Sai o homem rotundo aos berros
- Espera que vou apanhar mais um saco.
- Tudo bem patrão, hoje o dia ta longo, mas no fim melhora.
O homem entra no apartamento. Demora-se um pouco. Ouve-se conversas em alto som, era a mulher que falava que sua dieta não estava dando certo. Então, retorna o homem. Com a cara fechada.
- Essa besta reclama de tudo. Dieta não resolve pra ela. Só mesmo a morte. E aquele bunda de paralelepípedo tinha que asfaltar pra ficar boa.
Brasileiro nada falava da mulher do homem, – ele tinha juízo – mas não podia deixar de comparar com sua roso cheirosa. Camélia de pétalas grossas. Perto dela, a mulher de Brasileiro era a deusa da beleza das morenas. Dela provinha toda a essência do que é belo nas mulheres.
- Toma ai Brasileiro – disse o homem entregando mais um saco de livros. Que pra seu desalento era maior e mais pesado que o outro. – põem tudo nas costa e leva pro lixo.
- Sim senhor – esse fora o “sim senhor” mais desanimado pronunciado por um ser humano. Não sabia o que era pior. Deixar um e levar o outro e fazer a descida e subir outras vez e descer de novo ou levar os dois sacos numa viajem só.
- To indo pra praia.
- E sua esposa não vai com o senhor?
- Aquela besta morre de vergonha do corpo. É sorte minha ela não ir.
E lá se foi o homem rotundo descendo confortavelmente no elevador. Com seus chinelos e sua cadeirinha. Lá está Brasileiro com seus sacos de livros a ponto de pô-los as costas e descer. Podia fazer uma promessa pra Nossa Senhora que seria atendido por pena do fardo que carregaria. Brasileiro jogou seu fardo a costa e pôs-se a descer valente as escadas. Deu dois passos trôpegos até acostumar-se ao peso novo que sustentava suas pernas finas. Temeu cair com os dois sacos nas costas que lhe esmagariam a coluna. Mas sem maiores desastres que se assentar corpo na parede para evitar que caísse com algum desequilíbrio, consegui chegar ao saguão do prédio. Na porta onde deveria colocar os sacos pra que fossem recolhidos, sua curiosidade de olhar o que tinha dentro assobiou nele. Os livros aparentemente nunca tinham sido lidos ou ao menos folheados. Apiedou-se de jogá-los fora. Brasileiro os levou pra uma escola próxima de crianças carentes que seria providencial pra aprenderem a ler.
Ao voltar encontrou o homem parado na portaria com o rosto vermelho. De certo por causa da praia, mas também de raiva por ter encontrado a portaria sem ninguém.
- Esqueceu alguma coisa senhor? – perguntou brasileiro meio dissimulado, pois sabia o que esperava.
- Por sorte sim. Por que diabos você não está no seu lugar?
- Fui levar os livros pra escola carente
- Não me importa, seu lugar é aqui!
- Sim senhor – Brasileiro sentou-se e voltou ao seu oficio humilde. E ao vislumbre de sua rosa cheirosa. Camélia de pétalas grossas. O que de humilde não tinha nada. De tão bela, grande e farta de carne em cada cantinho distribuído impecavelmente. Quando voltou da praia encontrou Brasileiro sentado no seu lugar o homem rotundo.
- O que faz ainda aqui, já passou de tua hora?
- Espero alguém.
- Pois bem, amanhã quero que vá logo cedo até meu apartamento retirar um móvel velho que minha esposa quer se livrar. Não é muito pesado. É uma dessas estantes pequena que fica nos quartos. E depois há um vazamento no banheiro que quero que tu de uma olhada.
No momento em que falava apareceu entrando no prédio como a mais formosa das criaturas de Deus. A namorada de Brasileiro. O homem rotundo no momento que a viu deixou-se cair o queixo e milimetricamente passou a observa a moça. Caminhava com os cabelos soltos balançando ao vento. As pulseiras tilintando no pulso fino marcando como um relógio aquele tempo aprazível de rebolados sensuais. As pernas viam na frente, longas. Pétalas grossas. Era a imagem da beleza e do prazer – um desses que há muito o homem não tem – entrando no prédio recebendo nos braços e nos lábios Brasileiro que se vira ao patrão embasbacado e diz:
- Eu disse que o dia terminaria bem. – sorria – é melhor o senhor subir patrão, que sua mulher ta te esperando.
E sai com sua rosa cheirosa. Camélia de pétalas grossas.
- Ô Brasileiro, vem cá! – disse o homem rotundo que acaba de sair do elevador, mas Brasileiro não acordou, nem mesmo estava dormindo. Vislumbrava as imagens da noite passada no seu quartinho; seu ventilador barulhento girando; sua cama desarrumada pelas pernas morenas da mulher que ama. “ô Brasileiro” chamou o homem e outra vez não fora ouvido. Aproximou-se então e deu um chutinho na cadeira que estava sentado o Brasileiro.
- Ô patrão, desculpa, não ouvi o senhor.
- Tava a pensar em que?
- Na flor que brotou pra mim na minha cama.
- Que flor? – perguntou o homem.
- A rosa mais cheirosa do bairro; mais linda violeta da estufa.
- Que violeta?
- Violeta não, era uma camélia insaciável e de pétalas grossas.
- Era uma estufa ou um puteiro em que tu estavas?
- Que isso patrão é minha namorada.
- Ta bom – disse o homem já sem paciência pras ilusões do porteiro – vai lá em cima e apanha um saco que deixei no corredor.
- Vou sim, senhor.
- A besta da minha mulher ta enchendo meu saco. Mandou que tirasse meus livros da estante pra por as fotos de nossa viajem pro Havaí. Olha rapaz, pena que tive que ir com minha mulher, por que lá só tinha mulher linda. De tudo qual era tipo de tamanho, formas e cores era um arem.
Brasileiro não falou nada, mas concordava com o homem. Conhecia a besta e como era feia, uma mulher sisuda e grossa.
- Então, vai lá Brasileiro, mas não sobe pelo elevador, por que tão reclamando de você.
- Mas o senhor mora no décimo quinto andar! – disse Brasileiro já esperando o trabalhão que teria.
- Sem problemas, vai lá.
Ele batalhador reclama, mas não deixa de fazer. Entretanto aquelas tantas escadas dariam pra pensar por muito tempo na sua rosa cheirosa, camélia de pétalas grossas. E assim foi pelas escadas de quando em quando tropeçava nos degraus ao perder a consciência do mundo real e deixar ébriar-se pelas suas reminiscências. Com isso atingiu o primeiro andar, o segundo, o décimo e enfim o décimo quinto e no corredor avista o saco. Grande, cheio, pesado “não vai de elevador” lembrava o patrão falando.
Encostou-se à parede cansado da subida e esperou o animo chegar pra descer com o saco. Mais um sossego rápido pra pensar na mulher que acalenta seus pensamentos que tinham pouso na sua cama, em seus lençóis almogados pelos corpos nele se entrelaçando.
- Ta dormindo de novo Brasileiro – não percebera o elevador. Sai o homem rotundo aos berros
- Espera que vou apanhar mais um saco.
- Tudo bem patrão, hoje o dia ta longo, mas no fim melhora.
O homem entra no apartamento. Demora-se um pouco. Ouve-se conversas em alto som, era a mulher que falava que sua dieta não estava dando certo. Então, retorna o homem. Com a cara fechada.
- Essa besta reclama de tudo. Dieta não resolve pra ela. Só mesmo a morte. E aquele bunda de paralelepípedo tinha que asfaltar pra ficar boa.
Brasileiro nada falava da mulher do homem, – ele tinha juízo – mas não podia deixar de comparar com sua roso cheirosa. Camélia de pétalas grossas. Perto dela, a mulher de Brasileiro era a deusa da beleza das morenas. Dela provinha toda a essência do que é belo nas mulheres.
- Toma ai Brasileiro – disse o homem entregando mais um saco de livros. Que pra seu desalento era maior e mais pesado que o outro. – põem tudo nas costa e leva pro lixo.
- Sim senhor – esse fora o “sim senhor” mais desanimado pronunciado por um ser humano. Não sabia o que era pior. Deixar um e levar o outro e fazer a descida e subir outras vez e descer de novo ou levar os dois sacos numa viajem só.
- To indo pra praia.
- E sua esposa não vai com o senhor?
- Aquela besta morre de vergonha do corpo. É sorte minha ela não ir.
E lá se foi o homem rotundo descendo confortavelmente no elevador. Com seus chinelos e sua cadeirinha. Lá está Brasileiro com seus sacos de livros a ponto de pô-los as costas e descer. Podia fazer uma promessa pra Nossa Senhora que seria atendido por pena do fardo que carregaria. Brasileiro jogou seu fardo a costa e pôs-se a descer valente as escadas. Deu dois passos trôpegos até acostumar-se ao peso novo que sustentava suas pernas finas. Temeu cair com os dois sacos nas costas que lhe esmagariam a coluna. Mas sem maiores desastres que se assentar corpo na parede para evitar que caísse com algum desequilíbrio, consegui chegar ao saguão do prédio. Na porta onde deveria colocar os sacos pra que fossem recolhidos, sua curiosidade de olhar o que tinha dentro assobiou nele. Os livros aparentemente nunca tinham sido lidos ou ao menos folheados. Apiedou-se de jogá-los fora. Brasileiro os levou pra uma escola próxima de crianças carentes que seria providencial pra aprenderem a ler.
Ao voltar encontrou o homem parado na portaria com o rosto vermelho. De certo por causa da praia, mas também de raiva por ter encontrado a portaria sem ninguém.
- Esqueceu alguma coisa senhor? – perguntou brasileiro meio dissimulado, pois sabia o que esperava.
- Por sorte sim. Por que diabos você não está no seu lugar?
- Fui levar os livros pra escola carente
- Não me importa, seu lugar é aqui!
- Sim senhor – Brasileiro sentou-se e voltou ao seu oficio humilde. E ao vislumbre de sua rosa cheirosa. Camélia de pétalas grossas. O que de humilde não tinha nada. De tão bela, grande e farta de carne em cada cantinho distribuído impecavelmente. Quando voltou da praia encontrou Brasileiro sentado no seu lugar o homem rotundo.
- O que faz ainda aqui, já passou de tua hora?
- Espero alguém.
- Pois bem, amanhã quero que vá logo cedo até meu apartamento retirar um móvel velho que minha esposa quer se livrar. Não é muito pesado. É uma dessas estantes pequena que fica nos quartos. E depois há um vazamento no banheiro que quero que tu de uma olhada.
No momento em que falava apareceu entrando no prédio como a mais formosa das criaturas de Deus. A namorada de Brasileiro. O homem rotundo no momento que a viu deixou-se cair o queixo e milimetricamente passou a observa a moça. Caminhava com os cabelos soltos balançando ao vento. As pulseiras tilintando no pulso fino marcando como um relógio aquele tempo aprazível de rebolados sensuais. As pernas viam na frente, longas. Pétalas grossas. Era a imagem da beleza e do prazer – um desses que há muito o homem não tem – entrando no prédio recebendo nos braços e nos lábios Brasileiro que se vira ao patrão embasbacado e diz:
- Eu disse que o dia terminaria bem. – sorria – é melhor o senhor subir patrão, que sua mulher ta te esperando.
E sai com sua rosa cheirosa. Camélia de pétalas grossas.
Gostei... Mais não vou falar muito não se não vc vai se achar d+... rsrsrsrs
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